quinta-feira, 3 de julho de 2014

frist day

É a primeira vez que escrevo para um blog.
Como tudo na vida há uma primeira vez para tudo. :)

Decidi criar este blog, para abordar um assunto novo na minha vida, mas que vim a descobrir ser um assunto partilhado por muitas mulheres, e consequentemente por muitos casais.

Descobri em 2013, aos 29 anos, que tinha miomas...
O que é isso miomas? Os médicos não explicam, e nós pacientes temos medo da resposta e por isso não perguntamos.
Chego a casa e vou à internet. Coloco no google e surge a resposta, imensa informação sobre tumores benignos, sobre a tipologia de mulheres afectadas, ect..E pergunto-me: Mas eu não me enquadro no perfil, porquê a mim?
Na altura não consegui responder, apenas chorar...desesperar.

Depois de ecografias, histeroscopia e mais uns quantos exames chegaram à conclusão de que era um caso para operação... mais desespero, mais preocupação.
Eu? Operada?
Mas porque raio foi isto acontecer-me?
Para além destas perguntas surgiu uma outra, que eu tinha como garantida..um dia: E poderei ser mãe?

E mais uma vez as respostas foram vagas: Ah sim claro que sim! Mas só poderá pensar nisso depois da operação.

Se  não há outra solução, então vamos lá operar. Fui operada, e passados 2 meses fiz a desejada ecografia, para ver se os "malditos" tinham desaparecido... e a pior notícia deu-se. As paredes uterinas "empurraram" o que restava do mioma para dentro do útero, novamente.

Caiu-me tudo. E ver a cara do meu marido, que anseia ser pai, custou-me ainda mais do que receber aquela notícia.
Não sabia se chorava, se me aguentava e dava força, ou se apenas mentiria a mim mesma e depois aos outros fingindo que estava tudo bem.
Sinceramente não sei que reacção tive. 

Entretanto fui novamente à médica que me seguia mostrar os novos exames. Também ela ficou espantada, mas disse para começar a tentar após dois meses de tratamento com Primolut.
Mas se conseguisse engravidar, para não me espantar se abortasse, pois as possibilidades são 6 vezes superiores ás das mulheres que nada têm no útero.

Saí mais uma vez desolada, acabada, fora de mim.
Mais uma vez o meu marido, sempre ao meu lado como uma pedra basilar, tenta colocar-nos na sua zona de conforto: o positivo.

Positivo?
O que é isso e onde se compra?
Como pode uma pessoa ser positiva quando percebe que está a remar contra a maré?

Para mim ser positivo é ter fé. Não sei se posso misturar as duas ou chamar-lhe o mesmo. É o que sinto, é o que quero sentir.

Neste momento estamos a lutar contra o relógio, 6 meses para engravidar...já só faltam 5.
Mas tenho fé. Tenho o coração cheio de amor do meu marido, dos amigos que me apoiam, da família que me fortifica.

Tenho fé que vou conseguir, que vamos conseguir.
Sei que existem N mulheres com o mesmo problema e até com problemas mais delicados.
E porque não partilhá-los? ;)

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